11/07/2018

Audiência pública trata venda direta do etanol hidratado

Na audiência pública que está sendo realizada na Câmara dos Deputados e que trata do projeto de venda direta do etanol hidratado das usinas para os postos, Elizabeth Farina, diretora presidente da Unica, destacou que a mudança não seria eficaz para melhorar concorrência no setor dos combustíveis. “A venda direta não geraria ganhos de eficiência e nem menor custo e preço para os consumidores”, destacou, acrescentando que este tipo de comercialização seria muito pontual e restrita. “Seria algo provavelmente limitado a postos de bandeira branca, que representam 40% do mercado. As usinas precisariam fazer grandes investimentos, pois não estão preparadas para a distribuição”, concluiu.

Leonardo Gadotti, presidente-executivo da Plural, em sua fala a parlamentares, convidados e à mesa presidida pelo deputado Simão Sessim, apontou os riscos da venda direta do etanol hidratado. Gadotti destacou que o projeto não considera as complexidades que envolvem o setor e que o consumidor sofreria com o preço final mais alto e com a queda de qualidade do produto.

O presidente da Plural mostrou em sua apresentação que as usinas produtoras não possuem logística necessária para chegar aos milhares de postos espalhados pelo Brasil e que, segundo estudos técnicos, os custos extras surgidos a partir da nova modalidade de venda seriam de cerca de R$ 880 milhões.

Paulo Miranda, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), alertou para os aspectos tributários que surgiriam com a comercialização direta das usinas para os postos, citando a dificuldade do controle por parte das Receitas Federal e estaduais. “Não temos como competir com quem não paga imposto”, encerrou.