08/07/2019

Diretora de Aviação da Plural destaca importância de garantir a segurança no abastecimento aéreo

De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as empresas aéreas brasileiras transportaram, em voos domésticos e internacionais, um total de 103 milhões de passageiros pagos em 2018, 4,19% acima dos 99 milhões que usaram o transporte aéreo em 2017. Ou seja, tem mais gente voando de avião, por isso, a constante preocupação com a segurança. E quando falamos em segurança, não podemos deixar de pensar também nos combustíveis que abastecem as aeronaves. Ana Mandelli, diretora de Aviação da Plural, destaca na entrevista abaixo os pontos mais importantes que devem ser observados para garantir um voo tranquilo.

Plural: Quais são os procedimentos de segurança adotados no abastecimento aéreo?

Ana Mandelli: Para realizar o abastecimento de aviões, os operadores são devidamente treinados no manuseio do equipamento de abastecimento, equipamento de recebimento do produto (bocal aeronave), na operação de abastecimento, bem como nas rotinas de segurança necessárias para uma possível evacuação do local em emergência.

Plural: Para saber a quantidade de combustível necessária para o abastecimento, é necessário fazer um cálculo envolvendo quais variáveis?

Ana Mandelli: O cálculo do volume a ser abastecido é feito pela empresa aérea, ou solicitante, e leva em consideração:

– Meteorologia na rota de voo

– peso do avião na decolagem e no pouso

– tempo de voo

O peso limite do avião é determinante para operação, variando de acordo com as pistas dos aeroportos de origem e destino.

Plural: É necessário nesse cálculo ter também uma margem de segurança, certo?

Ana Mandelli: Sim, o cálculo correto leva em consideração, além do tempo normal de voo, um tempo para sobrevoo no aeroporto e ainda o deslocamento a um aeroporto alternativo no caso de problemas no aeroporto de destino.

Plural: Um avião com muitas bagagens também pode colocar o voo em risco?

Ana Mandelli: Quanto mais peso na aeronave, maior é o consumo de combustível. Não posso dizer que aumenta o risco, pois os funcionários das empresas aéreas são treinados para operar o carregamento da aeronave dentro dos limites de segurança desta, mas, sem dúvida, o excesso de bagagens torna o voo mais caro.

Plural: A água é o elemento mais indesejado no abastecimento do avião. Como identificar se existe água no combustível? São feitos testes de qualidade a cada abastecimento?

Ana Mandelli: Sim, a água é o grande “vilão” do combustível de aviação. Mesmo que em pequenas quantidades, o ambiente com calor e água é propício para o surgimento de micro-organismos que, com o passar do tempo, podem obstruir os acessos internos do motor da aeronave. Desta forma, o produto é testado para presença de água em todas as etapas de operação dentro do aeroporto, desde a chegada deste até o último teste realizado no ato do abastecimento.

Plural: O avião viaja com o tanque cheio ou vazio?

Ana Mandelli: O avião viaja com a quantidade necessária para o voo e a margem de segurança. Nunca com o tanque cheio nem vazio! O avião com mais produto que o necessário queima mais querosene, pois o peso aumenta. Isso influencia diretamente na eficiência do voo.

 Plural: É muito importante o trabalho dos operadores para garantir a segurança do abastecimento? Por exemplo, o operador fica segurando um instrumento durante todo o tempo de abastecimento, se ele soltar o equipamento, o abastecimento para.

Ana Mandelli: Sem dúvida! O abastecedor de aeronaves tem treinamento específico para operar o equipamento que está ao redor de uma aeronave e deve ainda estar atento às diversas vidas no entorno – passageiros e staff do aeroporto. O equipamento de abastecimento é conectado do caminhão abastecedor ao avião e fica completamente lacrado. Para garantir um abastecimento seguro, o fluxo de produto só é liberado enquanto o operador estiver acionando o instrumento de liberação. No caso do operador precisar sair do local do abastecimento em emergência, larga o instrumento e o fluxo de produto é interrompido imediatamente.

 Plural:   O combustível de aviação é diferente dos outros combustíveis? Tem mais aditivos para diminuir o risco de congelamento e explosão?

 Ana Mandelli: Sim, o combustível de aviação é diferente dos demais, tem propriedades químicas diferentes. No caso de aeronaves que não possuem aquecimento no interior de seus tanques, o combustível pode receber aditivos anticongelantes e antifungicidas.

Plural: Como as novas tecnologias podem contribuir para a segurança aérea/abastecimento das aeronaves? O que existe de mais moderno sendo utilizado? Quais as perspectivas para o futuro?

Ana Mandelli: Assim como as aeronaves, os equipamentos de abastecimento têm se modernizado. Existem empresas que definem padrões internacionais, como a JIG (Joint Inspection Group), por exemplo, que reúnem as melhores práticas em segurança de abastecimento de aeronaves. Quando detectada nova metodologia de operação ou novo equipamento mais seguro, é amplamente divulgado para adoção pelos agentes. E as perspectivas, as melhores possíveis! O avanço tecnológico das aeronaves é visível e rápido. Temos que acompanhá-lo!

Por Alessandra de Paula