15/08/2019

Empresários do setor de combustíveis da América Latina traçam panorama do mercado na ExpoPostos 2019

Como funciona o setor de distribuição de combustíveis aqui do lado, em outros países da América Latina? Que desafios eles enfrentam? Essa foi a tônica do painel “Revenda Latino-Americana: O cenário da distribuição dos combustíveis no mercado latino-americano, com suas tendências, problemas e pautas” do 14º Fórum Internacional de Postos de Serviços, Equipamentos, Lojas de Conveniência e Food Service, que acontece paralelamente à ExpoPostos & Conveniência 2019.

Com mediação do especialista argentino em distribuição de combustíveis e lojas de conveniência, Claudio Reboredo, o painel teve a participação dos empresários de postos Carlos Gold (Argentina), Renzo Carbone (Peru) e Roberto Diaz (México). Durante a apresentação, ficou claro que há muitas diferenças nos mercados da América Latina por questões políticas, legais, culturais e até trabalhistas. No entanto, a forte presença dos governos no mercado de combustíveis latinoamericano, como um player chave na indústria do setor, é uma das dificuldades para os empresários. “Na Argentina, onde há uma certa liberdade no setor, a política de preços sofre um controle indireto do governo através da YPF, uma das oito petroleiras que atuam no país e que serve como moderadora do mercado”, disse Gold.

Já o México saiu de um mercado totalmente fechado há 80 anos para uma abertura que vem acontecendo nos últimos quatro anos. “Era uma zona de conforto, mas, por outro lado, nos limitava. Nosso país não foi uma exceção, era um mercado de negócios patrimonial, com um empresário tendo até quatro postos. Criamos uma código de ética e, em 2018, foi feita a liberação de preços”, explicou Diaz.

De acordo com Carbone, o Peru passou por diferentes modelos políticos nos últimos 50 anos. Atualmente, há uma economia de mercado com preço livre, mesmo assim, as coisas não são fáceis. “Depois de muita regulação, tivemos que arrumar outras formas de aumentar os lucros. Hoje, existem até farmácias nos postos de combustíveis”, contou o empresário.

Uma crítica comum que os representantes da revenda de outros países fizeram foi a falta de entendimento que órgãos regulatórios têm do mercado. “Eu fico preocupado quando políticos passam a opinar sobre combustíveis. A cada mudança de governo, temos que explicar novamente como funciona o mercado, é cansativo. Por isso, precisamos fortalecer o trabalho das associações, transmitindo conhecimento e cobrando o Estado que faça seu trabalho”, frisou Carbone.

Reboredo afirmou não haver uma “estratégia mágica” para se destacar neste setor do mercado. “Os mercados estão em fases distintas de evolução, sendo complexos, diversos e voláteis. Entender a circunstância da indústria em cada cenário é fundamental”.

Mas, mesmo com toda crítica, Reboredo entende que as expectativas de crescimento econômico nos países da América Latina são favoráveis ao negócio. “Existe um grande potencial de crescimento, pois há uma tendência de ampliação da classe média, com a retomada da economia, afinal, trata-se de uma das regiões que mais cresce no mundo e, portanto, a demanda por combustíveis também vai crescer”.

Lojas de conveniência têm espaço para evoluir

Os debatedores também reconheceram que a importância das lojas de conveniência no faturamento dos postos em toda a América Latina ainda está em crescimento. Reboredo destacou o fato de uma loja de conveniência na Inglaterra representar 80% do faturamento, enquanto que na Argentina, esse percentual é inverso, com os combustíveis e lubrificantes sendo 80% (as lojas de conveniência chegam apenas a 20%, nesse caso).

No Brasil, o percentual é ainda maior, com 85% da renda sendo formada pela comercialização de combustíveis. “As lojas de conveniência ainda são embrionárias”, concordou Renzo. “No Peru, atualmente, elas vendem menos guloseimas e bebidas alcoólicas, partindo para o fast-food, que é mais rentável e está criando uma tendência”.