03/07/2019

Indústria de lubrificantes se antecipa à norma internacional e já oferece produtos adequados aos novos combustíveis com baixo teor de enxofre no transporte marítimo

Uma boa notícia para o meio ambiente! Antecipando as determinações estabelecidas por regulamentações da Organização Marítima Internacional (IMO, International Maritime Organization) e da Marpol, a  Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios – da qual o Brasil é signatário –, o mercado de combustíveis e lubrificantes marítimos brasileiro já está oferecendo produtos adequados aos combustíveis com  teor de enxofre limitado em até 0,5% para as embarcações que não dispuserem de sistema de limpeza de gases de escape. Atualmente, o percentual é de 3,5%.

“Os lançamentos no mercado nacional estão sendo feitos desde o segundo semestre de 2018”, reforça Luiz Feijó Lemos, consultor especializado em óleos lubrificantes.

O esforço da indústria de lubrificantes do Brasil em começar a oferecer novos óleos adequados aos combustíveis marítimos com baixo teor de enxofre pelo menos um ano antes do prazo estabelecido pela IMO (1º de janeiro de 2020) reflete a preocupação do setor com relação à questão socioambiental. Por um lado, a medida privilegia a saúde das populações costeiras (contribuindo para a diminuição da emissão de gases poluentes) e, por outro, é uma clara e importante sinalização de que o segmento caminha em sintonia com os trâmites internacionais relacionados à proteção ambiental. A IMO estima que, com a redução do teor de enxofre, a participação das emissões dos navios na poluição atmosférica global cairá dos atuais 5% para 1,5%.

Feijó explica que a nova regulamentação se aplica a motores marítimos de longo curso usados em embarcações que não possuem os chamados “scrubbers”, sistemas de limpeza de gases de exaustão que limitam o teor de emissões e são aceitos pelos signatários como uma alternativa para atender às novas exigências, pois removem os óxidos de enxofre dos gases de combustão. “Assim sendo, embarcações equipadas com ‘scrubbers’ poderão continuar a usar combustíveis com os teores atuais de enxofre, visto que a emissão de óxidos de enxofre é reduzida ao nível equivalente ao emitido pelas embarcações operando com os novos combustíveis com 0,5% de enxofre”, diz Feijó.

Para embarcações operando nas áreas fora do controle de emissões, combustíveis com o limite atual de 3,5% de enxofre continuarão a ser usados, frisa o consultor.

Analistas de informações estratégicas do grupo IHS Markit (Londres) apontam que as regulamentações de 2020 da IMO afetarão não apenas os setores de combustíveis e transporte marítimo, mas também no refino dos óleos básicos oriundos de petróleo. Especialistas do mercado internacional acreditam que o novo limite de enxofre, em comparação com o praticado atualmente, forçará transformações em grande escala nos combustíveis que os operadores de navios escolhem para abastecer suas frotas. “Essa mudança segue a tendência global de redução de emissões de todos os veículos movidos a combustíveis fosseis”, analisa Feijó.

Saiba mais nos links a seguir:

IMO, Sulphur 2020 – cutting sulphur oxide emissions

http://www.imo.org/en/MediaCentre/HotTopics/Pages/Sulphur-2020.aspx

IMO 2020 Already Making Impacts

https://pubs.lubesngreases.com/lubereport-americas/2_17/legal/IMO-2020-Already-Making-Impacts-14813-1.html

Resolução ANP nº 789/2019, publicada na íntegra no Diário Oficial da União

http://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-n-789-de-22-de-maio-de-2019-122631742

ANP reduz teor de enxofre em combustíveis marítimos

http://www.anp.gov.br/noticias/5194-combustiveis-maritimos

Por Antonio Carlos Teixeira