04/07/2018

Infraetrutura e impasse no frete são entraves

O gargalo em infraestrutura no país e seu impacto na logística são alguns dos principais entraves às exportações, na avaliação de empresários e analistas. Itens que já compunham um quadro de problemas recorrentes no país ganharam destaque com o impasse em torno da criação de uma tabela de frete para o transporte rodoviário de cargas. A fixação de um preço mínimo foi uma das promessas do governo para encerrar a greve dos caminhoneiros, que durou dez dias em maio e causou uma crise de desabastecimento. O episódio prejudicou o escoamento de matérias-primas e a venda de produtos, mas ainda não há definição para o tabelamento.

— Não há mais greve, mas está tudo parado. Ninguém vai contratar frete custando mais do que o produto a ser transportado — afirmou o diretor geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Daniel Carrara.

Contar com uma matriz de transportes majoritariamente rodoviária, dizem os empresários, torna a logística mais custosa, derrubando a competitividade de produtos brasileiros lá fora:

— Existe o desafio da infraestrutura, é preciso reduzir o custo brasil. O agronegócio é o setor mais afetado. O custo para levar a mercadoria até o porto é duas vezes maior que o de embarque para a China — reconhece o embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da ApexBrasil.

Sergio Leite de Andrade, presidente da Usiminas, afirma que o custo logístico pesa muito nas contas das empresas:

— Há 40 anos se fala no projeto para duplicação da BR-381 (a Rodovia da Morte, que liga Belo Horizonte a Governador Valadares), usada por grandes empresas como a Usiminas. A estrada está sempre em obras. Agora, o governo quer cortar R$ 51 milhões do orçamento para duplicar a via e transferir para outras áreas. FALTA DE PREVISIBILIDADE A produção da siderúrgica é escoada em parte via ferrovia, diz Andrade, mas ela não dá acesso a diversos clientes.

— Produzimos aço competitivo. O país tem de ter condições de oferecer infraestrutura e logística adequadas para que o produto que sai das usinas continue competitivo. Perdemos nas estradas, nos portos, no frete — sustenta ele. — A indústria de transformação está perdendo participação no PIB. O Brasil tem de ser um país manufatureiro, gerando emprego de qualidade.

Andrade cita ainda o peso do custo Brasil, destacando a recente mudança no Reintegra, programa que desonera exportadores, que foi reduzido de 2% para 0,1% em devolução de impostos ao exportador em função da crise gerada pela greve dos caminhoneiros:

— O Brasil é um exportador de impostos.

O designer Guto Índio da Costa destaca ainda a dificuldade de se produzir em meio às bruscas oscilações da macroeconomia no país:

— Exportar é um processo desesperador para as empresas, sobretudo para as pequenas. O câmbio muda o tempo todo, o preço do produto se torna competitivo e, depois, deixa de ser. A indústria é uma máquina lenta e complexa. É impossível acompanhar a volatilidade de uma economia tão nervosa como a brasileira. Planejar a longo prazo é dificílimo.

 

Fonte: O Globo