02/05/2019

Anuário: Plural aponta recuperação do mercado de combustíveis em 2018

O mercado de combustíveis no Brasil manteve em 2018 a tendência de recuperação já registrada em 2017, após dois anos consecutivos de queda em 2015 e 2016. No ano passado, as vendas cresceram 0,3%, de acordo com dados apresentados no Anuário da Plural (Associação Nacional das Distribuidores de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência), lançado hoje. Os números ficaram ligeiramente abaixo do crescimento do PIB, de 1,1%.

A greve dos caminhoneiros, ocorrida entre 21 e 31 de maio de 2018, afetou o consumo de combustíveis, em especial o da gasolina e do diesel. Até abril do ano passado, o mercado de diesel apresentava um crescimento acelerado de 4,2% em comparação com 2017. Com a paralisação, o mercado desabou 18,2% em maio, contribuindo para que o ano fechasse com um tímido crescimento de 1,6% em relação ao ano anterior.

“Os efeitos da greve foram ainda mais severos para o mercado brasileiro de combustíveis, pois além da própria falta de suprimento dos produtos, também afetaram a economia brasileira no pós-greve,” explica Leonardo Gadotti, presidente-executivo da Plural, que lembra que o preço do diesel teve pouca relação com a situação dos caminhoneiros. “O desequilíbrio no setor decorreu de incentivos ao financiamento de caminhões, os quais levaram ao crescimento da frota circulante a uma taxa superior ao crescimento médio do país, gerando sobre capacidade no mercado e derrubando os fretes,” diz.

O ciclo Otto, que considera motores a etanol, gasolina e GNV, em equivalência energética da gasolina, sofreu queda de 2,6% em relação a 2017. Por outro lado, a venda de etanol hidratado teve um aumento expressivo, de 42,1%, atingindo 19,4 bilhões de litros comercializados em 2018. Os principais motivos que contribuíram para esse aumento foram o aumento dos preços da gasolina da Petrobras, em comparação com os preços do etanol hidratado no produtor, e a queda dos preços do açúcar no mercado internacional devido ao excesso de oferta provocada, principalmente, pela política de subsídios aos produtores de açúcar na Índia.

Ceará, Pernambuco e São Paulo ampliam demanda por combustíveis de aviação

Após três anos de queda, a demanda por combustíveis de aviação teve alta de 6,6%, chegando a 7,2 bilhões de litros. Destacam-se o crescimento expressivo na demanda do querosene de aviação (QAV) nos estados do Ceará (17,4%), Pernambuco (15,2%) e São Paulo (11,3%).

No Ceará, o crescimento é justificado por ajustes no ICMS do estado, por meio de acordos com as empresas aéreas para redução de alíquota progressiva com contrapartida de aumento do número de voos. A localidade foi escolhida pela GOL e LATAM como hub de operações internacionais. Em Pernambuco, o aumento da demanda justificou-se, principalmente, pelo início dos voos internacionais da Azul a partir do aeroporto no Recife.

Já no estado de São Paulo, que corresponde a 44% do mercado brasileiro, o aumento ocorreu em função de migração de voos do Rio de Janeiro e do aumento da demanda por passagens aéreas, que atraiu novos voos e novas empresas a operar no Estado. Devido a essa migração, o Rio de Janeiro teve uma queda de 2,5% na sua demanda, em 2018, em relação ao ano de 2017.

Entidade vê retomada em 2019 

A Plural prevê que haverá crescimento do mercado de combustíveis neste ano, na comparação com 2018. A expectativa positiva se deve a uma previsão de retomada da economia brasileira neste ano, o que levaria a um crescimento no consumo de combustíveis.

Entretanto, Gadotti alerta que é necessário manter um ambiente de negócios que estimule a competitividade. “Com estabilidade regulatória, regras claras e previsíveis, e a prática de preços de mercados, o Brasil terá ambiente para atrair investimentos privados de até R$ 17 bilhões em melhorias de infraestrutura de importação e escoamento de combustíveis nos próximos anos.”

O anuário completo pode ser acessado clicando aqui.