17/12/2018

Quadrilha de adulteração de combustíveis é desbaratada no Espírito Santo

Empresas fantasmas, adulteração de combustíveis, sonegação de impostos, lavagem de dinheiro… um verdadeiro combo de ações criminosas foi desvendado no Espírito Santo graça à ação conjunta de várias instituições, como Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural   Biocombustíveis (ANP); Polícia Civil Ministério Público; e Secretaria da Fazenda. Investigada há quase dois anos, após
denúncia da ANP, a quadrilha está envolvida em um esquema milionário de fraudes. Até o momento, 17 pessoas foram presas. De acordo com o delegado Raphael Ramos, do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo, já foram descobertos R$ 50 milhões de tributos devidos, e esse número deve aumentar.

“É muito dinheiro envolvido. Essas pessoas lesam o erário, depois posam comemorando os lucros ilegais. Desde o início da Operação Lídima, já recebemos dezenas de informações pelo Disque Denúncia. Uma empresa funciona como fachada, depois é reabilitada a funcionar de novo. Eu peguei o caminhão saindo do operador logístico e indo para quem falsifica, mas, com papéis, ele pode provar que está indo para outro lugar. No Espírito Santo, não existe posto de fiscalização, os caminhões circulam livremente. É preciso que as instituições realmente trabalhem juntas”, ressalta o delegado.

Grande importação de Nafta

O esquema começou a ser desbaratado quando a ANP desconfiou da importação de quase 4 milhões de litros de nafta, um subproduto do petróleo usado em indústrias químicas, mas adotado também pelos criminosos para adulterar combustível. O caminhão estava sem nota fiscal, ou seja, não havia recolhimento de impostos. O carregamento foi bloqueado, mas 1 milhão de litros já tinha sido
levado para os postos de combustível sob controle da quadrilha.A partir daí, o fio de meada levou a empresas fantasmas, envolvidas em diversas atividades ilegais, como compra de etanol direto das usinas sem nota fiscal; adulteração da nafta usando corante, para ficar parecida com gasolina; fraude de impostos na importação de diesel; e lavagem de dinheiro. De acordo com o Ministério Público, a quadrilha comprava prédios inacabados, concluía as obras e declarava ter gasto valores infinitamente superiores aos realmente utilizados.
Em seguida os imóveis eram vendidos. Há provas da atuação dos criminosos no Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro e indicações de fraudes também no Mato Grosso.

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Por Alessandra de Paula