18/02/2019

Serviços diminuem perdas em 2018, mas ainda acumulam baixa de 11,1%

Após três anos de retração, o setor de serviços terminou 2018 apenas reduzindo as perdas registradas durante a recessão. A exemplo do que ocorre desde meados de 2017, o segmento segue na lanterna da recuperação econômica, enquanto a indústria e o varejo, por exemplo, já mostram crescimento, ainda que modesto. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços prestados subiu 0,2% em dezembro na comparação com novembro, com ajuste sazonal, mas caiu 0,1% no acumulado do ano passado, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).
Para 2019, é esperada uma reação, também comedida devido à alta ociosidade do mercado de trabalho, o que inibe uma puxada mais forte do consumo e, por consequência, também retrai a demanda das empresas por serviços terceirizados.

Os dados do IBGE dão a dimensão da dificuldade do setor em engatar um ritmo mais forte. No ano passado, o volume de serviços caiu em 58,4% dos 166 tipos de atividades pesquisados.

Dos cinco grupos de atividades de serviços acompanhados pelo IBGE, os serviços profissionais e administrativos puxaram a queda do setor em 2018, ao recuar 1,9%. Esse agrupamento envolve desde serviços técnicos qualificados, como de empresas de engenharia, até serviços de vigilância.

Segundo Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, a demanda por esses serviços mais qualificados recuou 1,2% no ano passado. “Empresas de engenharia, por exemplo, perderam contratos em razão da crise de petróleo. A construção também mostrou perdas consistentes nos últimos anos”, disse ele.

Os serviços administrativos e complementares, considerados os mais básicos, tiveram queda de 2,1% no ano passado. “São atividades que parecem não sair da crise e mostram a dificuldade das empresas que prestam serviços para outras empresas. São atividades algumas vezes não consideradas essenciais e que acabam cortadas”, avalia.

Na outra ponta, o segmento de transportes registrou alta de 1,2% no ano. Segundo Lobo, o resultado mostra que, apesar da greve dos caminhoneiros, a demanda pelo transporte de cargas por indústrias e agronegócio permaneceu em recuperação no ano passado, após subir 2,3% em 2017.

“O transporte terrestre, que inclui o transporte rodoviário de carga, caiu 15% em maio, quando ocorreu a paralisação, com bloqueio das estradas. Mas no mês seguinte essa queda já foi recuperada”, explicou Lobo.

Também houve altas no acumulado de 2018 nos serviços prestados às famílias (+0,2%) e na categoria de outros serviços (+1,9%). Como os dois segmentos representam pouco do setor – juntos, são cerca de 15% dos serviços -, não houve fôlego para trazer a taxa para o positivo.

“Esse movimento desigual entre os sub-setores está relacionado com a lenta recuperação do mercado de trabalho, que limita a recuperação do consumo”, diz Luana Miranda, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Para ela, os serviços devem seguir o restante da economia e mostrar aceleração mais significativa só a partir de 2020.

O saldo final do desempenho no ano passado foi o de um setor que reduziu o estrago causado pela recessão, mas sem sair do lugar. Nas comparações mais longas, ainda há muito terreno a ser percorrido. Pelo volume, os serviços acumulam uma baixa de 11,1% nos últimos quatro anos.

Pela receita, há um buraco de 11,4% desde o pico, o equivalente a perdas de R$ 9,7 bilhões, a preços de dezembro de 2018, calcula a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A entidade prevê alta de 2% dos serviços em 2019.

“O processo de retomada dos investimentos será fundamental para que as atividades envolvidas na PMS apresentem o primeiro avanço anual de volume de serviços desde 2014 (+2,5%)”, afirma Fabio Bentes, chefe da divisão econômica da CNC.

 

Fonte: Valor Econômico